Abaixo segue um excelente depoimento do Engenheiro Civil Felipe Sales, contando um pouco de sua história de preparação e fornecendo dicas para aqueles que buscam uma aprovação.

Felipe Sales

1) A perspectiva de construir uma carreira profissional no serviço público (as razões que o levaram a optar pelo serviço público);

Resolvi optar por procurar meu lugar no serviço público no final do curso de graduação em engenharia civil por alguns motivos. Além de meus pais já serem empregados públicos, à época, um amigo já havia conseguido passar em um concurso, o que me chamou a atenção. Por outro lado, sempre me atraiu a busca pela probidade da coisa pública, e me motivava a possibilidade de poder dar minha contribuição à administração pública. Acrescido a isso, há o aspecto das vantagens do serviço público, como carga horária estável, estabilidade, remuneração, que, dependendo do cargo, pode ser muito boa, dentre outras características desse mercado.

2) Como o nosso curso preparatório contribuiu para o êxito nas provas;

Minha preparação iniciou-se no fim do curso de graduação, quando resolvi seguir esse caminho. Optei por fazer algumas matérias optativas de áreas diversas no fim do curso de engenharia, como forma de reciclagem das áreas em que eu tinha menos conhecimento. Além disso, iniciei mestrado em Engenharia Civil, área de concentração Saneamento Ambiental (2011).

Após a graduação, antes do mestrado, conheci o Grande professor Anísio Meneses, que posteriormente viria a ser, além de um solicito professor, um amigo, quando encontrei seu livro Temas de Engenharia para Concursos, à época na 2ª edição, na biblioteca do Bloco de Engenharia Hidráulica. Poucos meses depois tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, e concluir seu curso presencial de engenharia civil para concursos em 2011.

O curso foi decisivo. Nessa oportunidade, trabalhamos com cadernos teóricos e com exercícios, com os quais consegui a evolução e a consolidação base em engenharia civil para concursos, o que me permitiu evoluir nas outras áreas como português, direito administrativo, constitucional etc. O curso também foi a primeira oportunidade de um contato real com o mundo dos concursos, com a malícia das bancas examinadoras, e com a forma como cobram os conhecimentos.

O material do curso e o livro continuaram e continuam servindo de fonte na preparação para revisões e correções de questões ao longo dos estudos e até na vida profissional.

3) A estratégia de preparação para as provas e concursos;

Em geral, procurei fazer cursos direcionados para o concurso especifico. Não há muito o que inovar. Fiz alguns cursos para ter base nas matérias principais, tais como, Português (principalmente presenciais, em especial, o primeiro, o curso teórico ministrado pelo grande professor Itamar Filgueiras), Direito Administrativo, Direito Constitucional, Controle da Administração Pública, Controle Externo, Auditoria, AFO etc. Na maioria das vezes sem completá-los (Rs!).

Esses cursos foram feitos com o decorrer do tempo. Não aconteceram simultaneamente. As matérias exigiram (pelo menos é assim que penso) uma certa maturação, não se fixaram com facilidade, ao tempo em que eu procurava fazer as provas, mesmo sem poder me preparar tão bem. Com a experiência de provas, também, acontece uma espécie de “raio X” do conhecimento de cada um, pois o aluno fica conhecendo seus pontos fracos e fortes, assim como, os assuntos que caem mais dentre as matérias, podendo priorizá-los em relação a outros menos importantes e mais difíceis.

Em setembro de 2014, direcionei meus estudos para a área do controle (Controladorias e Tribunais de Contas) passando a estudar matérias mais direcionadas a essa área.

Dessa forma, reprovei muitos outros concursos além daqueles em que obtive sucesso. Do final de 2010 a 2016, entre muitas paradas e recomeços, foram alguns anos de “estilo de vida concurseiro” até aqui.

Outro aspecto importante foi a forma de estudos. Entre elas, cito as que me foram mais eficientes: elaborar cadernos de esquemas e resumos gráficos de cada matéria, elaboração de esquemas para fixar nas paredes do quarto, resolução de questões, resolução de provas, auxilio de um caderno de leis impresso, estudos por materiais em PDF, alguns livros (para tirar duvida) e algumas aulas presenciais, necessárias quando o aluno sentir que precisa evoluir em determinado assunto. Quanto às aulas presenciais, procurava no máximo preencher 30% do tempo com elas, priorizando realmente matérias mais relevantes, segundo as minhas dificuldades.

Quanto às programações de estudos e outras dicas, há o material do professor Alexandre Meirelles que procurei seguir em muitos aspectos.

Outro aspecto relevante é sobre estudar com amigos. Eu tive sorte de poder muitas vezes estudar com meu pai (DNIT) e outros amigos como o Emilson Pinheiro (CGU), que me ensinou muito da área jurídica e sobre concursos em geral, assim como outros amigos em Fortaleza e Brasília.

4) A sua satisfação de ser aprovado em diversos concursos;

Em relação aos resultados alcançados, obviamente, nunca imaginei me sair tão bem.

Só o professor Anísio, bem antes de qualquer resultado, em uma tarde de sábado, almoçando entre uma aula e outra, cravou: Felipe, você vai ficar em 1º lugar no DNIT.

Tanto faria passar em qualquer lugar, desde que dentro das vagas, mas os resultados vieram muito positivos, muito além das expectativas. Enfim, além das várias reprovações, passei em alguns concursos:

- 1º Lugar Engenheiro Civil Secretaria das Cidades (CE) 2013 – FUNCAB;

- 1º Lugar Analista de Infraestrutura DNIT (Engenharia Civil) 2013 – ESAF;

- 8º Lugar Engenheiro Civil CAGECE 2013 – FUNCAB;

- 4º Lugar Auditor de Controle Interno CGE-CE 2013 (Engenharia Civil) – UECE;

- 7º Lugar Perito Criminal Engenharia Civil PF 2013 (Provas Escritas ) – CESPE;

- 52º Especialista em Regulação ANTAQ (Área Geral) (Provas Escritas) 2014 – CESPE;

- 7º Lugar Auditor de Controle Externo (Engenharia Civil) TCM-GO 2015 – FCC;

- 1º Lugar Auditor de Controle Interno (Engenharia Civil) CGE-PI 2015 – CESPE;

- 1º Lugar Analista de Controle Externo (Engenharia Civil) TCE-CE 2015 – FCC;

- 1º Agente de Fiscalização (Engenharia Civil) TCM-SP 2015 – FGV;

- 2º Lugar Auditor Fiscal de Controle Externo (Engenharia Civil) TCE-SC 2016 – CESPE.

5) As dicas que você oferece a quem pretende se preparar para as provas de concurso.

Sobre dicas que eu diria para os colegas. Eu acho que a matéria de engenharia é muito vasta e difícil de alcançar os 80/90% bem nela. Isso torna a importância das outras matérias maior. Negligenciar algumas delas na esperança de descontar a pontuação somente em engenharia, na minha opinião, é um erro. Considero que a melhor estratégia seria atingir um bom nível na matéria especifica, mas dando a devida atenção às outras, principalmente português, incluindo redação. Ao longo dos meus estudos fiz alguns cursos de português e de redação, o que me ajudou a evoluir muito. Isso se justifica também porque vão existir questões fáceis em todas as matérias, e é necessário que se saiba ao menos superficialmente cada uma delas, para resolvê-las.

Se o concurso almejado for na área do controle, acho importante priorizar também AFO, Auditoria, Controle Externo, além de alguns assuntos da gama dos Direitos Administrativo e Constitucional.

6) Você pode acrescentar outros aspectos que julgar interessantes.

Por último, nunca desistam! Depois que entrar nessa, há que continuar. Não faltam pessoas pra dizer que estamos perdendo tempo (na maioria das vezes nós é que pensamos isso) etc etc etc. É complicado também a quantidade de decepções que acontecem, por exemplo, quando se acredita que se saiu bem, mas o resultado não vem. É desesperador! Mas se cada um não acreditar em si, ninguém vai acreditar.

Os estudos são até passar! E essa hora vai chegar! Com certeza! E vai ser irado!

Depoimento em vídeo: http://www.engecursos.eng.br/blog/554043/depoiment...